“Please, don’t cry. It’s so hard to say goodbye.”

Imagem

Não sei sobre o que ela conhecia menos. O que afinal se pode saber muito bem aos dezesseis anos? E foi assim mesmo, sem entender de nada da vida, que ela o conheceu. Era uma noite qualquer quando o viu na festa. Bem, ela não o viu, mas ele a notou e se aproximou. Percebeu que havia uma ou duas amigas em comum e deu seu jeito de se chegar perto. Era final do ano e ele, prestes a fazer dezenove, conhecia um pouco mais sobre a vida, mulheres e relacionamentos em geral, do que a menina que ali estava. Pra ela não importou. Ela ainda se ligava no namoradinho que se mudou pro Rio. A hora não era boa pra menina. Ele insistiu um bocado, mas a garota ignorou violentamente. Talvez por isso até que ele tenha vidrado nela. Certo, ele ficou com a amiga dela naquela noite, mas um tempo depois ele justificou o ato falho como “erro da mira”. Acontece. Na modernidade em que viviam, apesar de não terem exatamente uma convivência diária e frequente, eles se falavam através da famosa internet. O tempo passou; o ano virou. Eles não marcavam encontros, mas as conversas eram longas e durante horas à fio o papo fluía com a facilidade que só se vê em velhos amigos. Estava certo de que era amizade. Pra ela era. Ele contava sobre a vida, o estágio, a faculdade e as conquistas enquanto ela se queixava das provas do segundo ano do ensino médio. Ela se interessou por um amigo dele e ele por outro lado, começou a namorar por pura carência. Ele foi ouvinte das ilusões da menina por muito tempo e apesar de aconselhar um bocado, ela se fez de surda. As bobeiras que ela tinha na cabeça duraram bem pouco, assim como o namoro-por-carência dele. Quando ele se viu disponível, ela começou a se prender numa nova aventura. E enquanto ela se aventurava monogamicamente, ele, por outro lado, gostava mesmo é de aventuras, no plural. Já quase no final daquele ano que até pouco tempo era novo, os estudos do carinha dela o levaram pr’um outro continente. Quando ela pensava que a sua sina era gostar do que estava longe, ele se apressou a conquistá-la (antes que ela embarcasse em n’outra). Ela estava sozinha. Ele também. Ela foi pr’um show. Ele também. Não precisou de muita coisa pra tal amizade ir para o espaço. Depois do primeiro beijo, todos os receios que ela houvesse tido, simplesmente sumiram. Era mais do que ela gostar dele: eles se gostavam. Era mutuo. Dava pra ver. O contato agora era ainda mais frequente do que quando era só amizade. Eles se falavam todos os dias, várias vezes por dia e aparentavam não se cansar. Encontravam-se no meio da semana, nos finais de semana e quando mais desse, mesmo que o tempo fosse curto. Outro ano virou e tudo era perfeito. Ela começou o ultimo ano do colégio e ele estava junto. Ela nunca estivera tão certa de que a troca de amigo pra amor teria sido a melhor coisa que eles já fizeram até então. Adoraria dizer que o final dessa história foi feliz pra ambos, mas eu não posso mentir. Não aqui. Ela foi cabeça-dura. Sentia muito e não dizia metade do que ele queria ouvir. Ele, por outro lado, deve realmente ter sentido algo no início, mas se perdeu pelo caminho. Durante o resto daquele ano, o amor acabou pra ele e triplicou pra ela. A menina sem experiência correu atrás do rapaz sutilmente mais velho ainda por longos meses. Deu tudo de si. Do pouco que lhe restava de amor próprio até a mais refinada gota de neurose que nascia a cada vez que ela acreditava que ele a pertencia. Por mais que não houvesse se desligado daquela história ainda, fora brutalmente jogada fora da vida dele – por ele mesmo inclusive. Não é que não tenha dado certo ou que não tenha valido à pena. Deu certo por um tempo sim. Valeu sim. Mas havia um intervalo enorme entre o lugar que realmente tinha acabado e onde ela conseguiu enxergar que o fim já estava lá. Eles não se falam mais. Se se cruzarem na rua, certamente agirão como dois estranhos; como se nunca houvesse tido amizade, amor ou qualquer coisa parecida ali no meio. Enquanto ele segue a vida tão natural quanto o fluxo do rio, ela ainda chora com muitas músicas e não consegue assistir os filmes que eles viram juntos no cinema. Mas quando eu digo que valeu à pena, é que na mesma intensidade que ele a fez feliz, também fez com que a menina crescesse com a própria dor… Isso sem contar agora ela finalmente aprendeu a hora certa de dar adeus.

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s